A Crise
Um artigo mais sobre esta palavra que hoje está tão em moda, mas que no nosso sector desgraçadamente ouvimo-la há alguns anos.
A verdade é que esta palavra está unida ao sector vitivinícola desde há muito tempo na Europa.
Por um lado, devido à contínua diminuição do consumo do vinho nos nossos mercados, e por outro, pela falta de adequação do produto às exigências dos mercados internacionais.
Agora encontramo-nos com a crise financeira internacional, algo que parece estar muito longe de nós, mas que vai mudar totalmente o comportamento da sociedade assim como das empresas.
Durante os anos de bonança económica baseamo-nos num modelo de sociedade especulativa e isto também funcionou no sector vitivinícola. O que agora está em cheque é se este modelo é o correcto ou se, pelo contrário, deve mudar. Não tenho o conhecimento nem os dados que me permitam prever qual será o futuro modelo económico que se vai instalar na sociedade, mas o que posso dizer é que esta crise vai mudar o comportamento da mesma. Não pretendo ser pessimista mas realista e, além disso, isto não é mais que uma reflexão em voz alta com colegas do sector.
Em princípio deveríamos passar de uma sociedade especulativa a uma sociedade produtiva.
Isto implicará produzir grandes vinhos a nível industrial e principalmente muito competitivos.
O nosso discurso até agora foi baseado na baixa produtividade na vinha para ter boa qualidade, mas isto acabou, pelo menos em 85% das adegas do mundo. Hoje a rentabilidade está na vinha, devemos ser capazes de encontrar a matéria-prima melhor adaptada a cada estilo de vinho de forma competitiva e, além disso, aumentando o nosso valor acrescentado.
Não podemos estabelecer os mesmos conceitos e procedimentos de vinificação para as uvas que vindimamos hoje e para as que vindimaremos amanhã.
Isto requer um elevado esforço em I+D+I, permitindo-nos avançar no conhecimento e indicando-nos as linhas de trabalho para o futuro que está aqui. Devemos reagir.
Por outro lado, devemos adequar todas as ferramentas da adega a estas novas matérias-primas que vamos receber.
Os enólogos transformaram o sector nos anos 60, quando os vinhos tinham pico acético, etc., quando se começou a utilizar o metatartárico, o ascórbico, a goma-arábica ou se começaram a clarificar os vinhos, quando os enólogos eram os químicos da adega. Então os enólogos eram deuses, capazes de converter fruta em vinho, melhoraram a economia de muitas povoações e levaram regiões e empresas vinícolas a níveis de reconhecido prestígio internacional.
Está agora nas nossas mãos, outra vez com a ajuda dos empresários mais empreendedores, dar o seguinte salto. O salto no conhecimento da matéria-prima e no conhecimento de processos que nos permitam aproveitar da maneira mais rentável o melhor da uva.
Em princípio temos que pensar que a partir desta crise se o nosso comportamento não muda e continuamos a fazer o mesmo, os nossos produtos não estarão adaptados às exigências do mercado.
Um abraço.
Etiquetas: crisis del vino, Enologia, uva, Vindima, vino, Viticultura






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