Conselhos para uma boa fermentaçao maloláctica

Por esta altura, os vinhos terminaram a fermentação alcoólica e se dispõem a realizar a denominada segunda fermentação: a fermentação maloláctica.

Actualmente, em função do tipo de vinho a comercializar e da sua estrutura, podemos diferenciar entre dois tipos de fermentação maloláctica: em depósito ou em barrica.

Sempre se pensou que para desfrutar de um vinho de êxito é o enólogo quem deve controlar todo o processo de elaboração. Antes do início da fermentação alcoólica, em 99,9% dos casos estou certo de que é assim. A correcção do mosto com sulfuroso, a correcção da acidez total em função do grau alcoólico, pH, a quantidade de málico, etc. Na altura de realizar a fermentação maloláctica: quem controla quem? Digo isto porque cada enólogo tem um critério distinto para um mesmo objectivo e penso que isso não deveria ser assim. Uma vez feita a fermentação alcoólica todos se questionam: manterá o meu vinho esta fruta depois da maloláctica? Ficará a madeira bem integrada com a fruta do vinho, dando complexidade depois da maloláctica em barrica?

As respostas a estas perguntas deveriam estar no nosso “know-how”, é por isso que não podemos obter o mesmo resultado trabalhando um vinho turvo ou um vinho abaixo de 200 NTU, um vinho limpo de 45 IPT ou um vinho limpo de 70 IPT, ou um vinho de pH 3,5 ou um vinho de pH 3,7. Ainda assim, não é o mesmo trabalhar com um depósito grande que com um depósito pequeno, ou uma barrica nova ou uma de terceiro ano. Há muitas diferenças mais, mas deixo-as para que vós as considereis.

A maloláctica em depósito

Para começar, uma vez desencubado o vinho, é importante realizar um pequeno choque térmico para precipitar todos esses compostos que tornam o vinho turvo. Devemos recordar que as borras absorvem cor e fruta no tempo e cedem aroma vegetal ao vinho. Se vamos misturar a prensa com a gota para aumentar a estrutura, antes de misturar, devemos limpar o vinho. No caso de depósitos muito grandes, é importante centrifugar ou filtrar por um filtro de prensas. Este processo elimina a maioria das leveduras, assim como as brett (desenvolveremos este tema noutro post) e não repercute sobre as bactérias lácticas.

Por outro lado, é necessário conhecer analiticamente o vinho para fazer os ajustes necessários, especialmente quanto à acidez e ao pH. As antocianas possuem um ião flavilium que é mais reactivo a pH ácido e portanto, favorece a estabilidade da matéria corante. Devemos corrigir o pH em função do destino desse vinho: jovem ou de estágio. Não podemos esquecer que após a maloláctica este aumenta entre 0,15 e 0,25 décimas, em função da quantidade de málico e de potássio.

Também é necessário interpretar o tipo de taninos (verde, duro ou seco) mediante a prova. Em função destes poderemos conhecer a evolução de um vinho e a sua estabilidade no tempo, seja em barrica, em depósito ou em garrafa. Devemos saber que o estágio de um vinho não é melhor quanto mais tanino tiver, mas pela estrutura molecular do tanino e da sua harmonia.

Para isto podemos apoiar-nos na micro-oxigenação, uma ferramenta que nos ensina a conhecer o interior de um vinho e as diferentes fases da polimerização tanino-antociana, mas principalmente ajuda-nos a definir o estilo de vinho que queremos comercializar, seja este jovem ou de estágio.

É necessário ter cuidado com o vazio no depósito, devendo-se encher toda essa superfície de carbónico para não perder o aroma frutado. Uma quantidade de oxigénio de maneira descontrolada no depósito acumularia uma grande quantidade de oxigénio dissolvido no vinho, perdendo frescura e fruta.

A maloláctica em barrica

Aqui poderíamos assinalar dois tipos de tendências:

Por um lado, encher as barricas de vinho e deixá-las até ao início da maloláctica em salas climatizadas a uma temperatura constante para facilitar a mesma, ou simplesmente enchendo as barricas e deixando que a fermentação ocorra na Primavera quando aumentar a temperatura da sala.

Por outro lado, realizar a bâtonnage até ao início da maloláctica. Não é uma questão de decidir que técnica pode ser melhor, mas devemos conhecer os requisitos mínimos para o êxito de qualquer uma delas.

No caso de realizarmos a bâtonnage para extrair uma maior quantidade de polissacáridos e de manoproteínas das borras, se previamente não estabilizamos as borras por separado, estas tendem a absorver cor do vinho. Este ponto é muito relevante, porque não é o mesmo perder 2 pontos de cor num vinho de 20 que num de 10.

Além disto, é interessante saber que na barrica, devido às suas dimensões, há um imediato efeito clarificante do vinho, turbidez inferior a 150 NTU. Este facto facilita a polimerização tanino-antociana e portanto, estrutura o vinho graças ao doseamento constante de oxigénio da barrica (0,5-1 ml/l/mês). Também há uma adição de elagitaninos da barrica nova, o que facilita por copigmentação a sua estabilidade. Devido a esta reacção, pode ser interessante estruturar o vinho e depois realizar a bâtonnage já que as borras em suspensão inibem estruturar o vinho. Não podemos pintar a casa sem primeiro termos levantado as paredes.

A barrica nova absorve muito vinho, o vazio que fica oxigena em excesso e perdemos muita fruta. Antes disto, devemos atestar cada dia ou dois dias essa falta de vinho. Há que ter cuidado de não o fazer com outro vinho que não tenha a maloláctica feita.

No momento de encher as barricas devemos ter em conta a temperatura inicial e a da sala das barricas, já que se não forem iguais podemos ter problemas de transborda de todas as barricas.

O resto dos parâmetros deve ser controlado tal como na maloláctica em depósito.

Sorte a todos e lembrem-se: depois da maloláctica, trasfegar e sulfitar

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3 Respostas a “Conselhos para uma boa fermentaçao maloláctica”

  • francisco Says:

    hola,yo hago vino de forma particular consumo propio,soy de un pueblo al sur de leon,este año compre uva en valbuena de duero.nosotros hacemos el vino como antes en bodega bajo tierra y todo el proceso en barrica,la temperatura en esta epoca suele estar entre 8 y 10 grados y en primavera sobre 15,es temperatura suficiente para realizar la malo?.te agreceria de corazon q me dieses algun consejo para hacer un vino bueno.un saludo y estas invitado a tomar un vino en mi bodega

  • David Says:

    Hola,

    podrias desarrollar un poco mas el concepto de “estabilizar las lias”?

    Yo en mi caso suelo trasegar el vino tinto 24h tras la FA y un segundo trasiego 24h despues. Despues cada 2-3 dias saco del fondo del deposito una muestra para ver el estado de las lias. En caso de que desarrollen aromas reductivos vuelvo a trasegar el vino. La verdad es que no se muy bien si estoy moviendo demasiado el vino pero el miedo a olores reducidos me hace actuar de esta manera. Por eso me gustaria saber un poco mas de como debo tratar las lias para poder trabajar con ellas y conseguir asi mas un vino con mas estructura y untuosidad.

    Gracias

  • Iñaki Says:

    Hola David,

    Adjunto el protocolo de la estabilización de las lías. Cuando hablamos de la estabilidad de las lías nos referimos a eliminar esa capacidad reductora de las mismas. Esto puede llevar aproximadamente un mes

    Procedimiento de estabilización y trabajo de las lías en vinos tintos.

    1. Recoger las lías provenientes de las cubas más sanas, afrutadas y concentradas notablemente en antocianos.
    2. Después de descubar esperar 24-48 horas y recuperar las lías siempre entre F.M.A. y F.M.L., y si es posible tamizar.
    3.Sulfitado masivo de 10 a 15 g/hl y acidificación de 300 a 400 g/hl (efecto inhibidor de Brettanomycces).
    4. Guardar el vino en una cuba inerte y remover con la ayuda del BATONEADOR con cierta frecuencia hasta abertura aromática.
    5. Conservar entre 15 y 20 °C, durante el batonnage para evitar la sedimentación y que las lías se compacten demasiado.
    6. Utilización de las lías al final de la fase de estructuración del vino tinto a una dosis de 1al 5%.

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