Que finalidade tem a prova de vinhos?


Todos provamos centenas, ou melhor, milhares de vinhos durante o ano e que conclusões tiramos das provas que realizamos?

É muito difícil separar a prova técnica da prova das sensações, entendendo as sensações como as impressões que as coisas produzem na mente por meio dos sentidos.

Há distintas definições sobre o gosto. É um sentido, é uma sensação ou uma interpretação da mesma. Além do que percebemos pelo paladar temos outras sensações que se complementam e nos produzem prazer.

No entanto, uma prova profissional não deveria contemplar o prazer ligado às sensações, mas deveria realizar-se com critérios bem definidos. Quando um alimento é ácido, é assim mas desde o ponto de vista das sensações, pode gostar-se ou não.

Quando fazemos uma prova técnica, os critérios fazem referência ao alimento. Quando fazemos uma prova de sensações ou hedónica, os critérios fazem referência às preferências.

Quando provamos em adega podemos provar para avaliar as qualidades do vinho, observar a evolução do mesmo, compará-lo com a concorrência ou com os nossos.

Por este motivo escolhi: “Que finalidade tem a prova de vinhos” para título deste post.

Em função de objectivos bem definidos, devemos estabelecer descritores concretos e devemos estar perfeitamente treinados na quantificação de cada um deles. Só desta maneira poderemos quantificar, qualificar, arquivar, traçar a vida, a evolução ou a comparação dos vinhos.

Hoje em dia existem milhares de programas que nos ajudam a estabelecer a traçabilidade na adega: desde os fitossanitários utilizados na vinha, passando pela procedência das uvas e todos os tratamentos realizados na adega. Mas que histórico guardamos da prova dos nossos vinhos? Como interpretamos e exploramos os dados da prova?

Devemos começar a profissionalizar as provas na adega. Através delas podemos guardar uma informação muito valiosa.

Para isso é importante:

-Definir com precisão o objectivo de cada prova. Estabelecer os descritores que melhor podem ajudar-nos a definir e qualificar as qualidades dos vinhos.

-Estabelecer as diferentes fichas de prova em função dos objectivos.

-Estabelecer uma metodologia no painel de provadores (se for mais que um provador).

-Fazer um arquivo, uma base de dados que permita ter todos os dados imediatamente disponíveis.

Boa prova.



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