O bom vinho

Hoje em dia as empresas que querem viver a vinha e o vinho devem ter uma clara orientação para o mercado e, portanto, para os consumidores. Para isto precisamos de estudos sérios de investigação de mercado sobre o perfil de produto necessário. Sem esta informação precisa, cometemos muitas vezes o erro de deixar a decisão do perfil do produto nas mãos do enólogo, do departamento comercial ou da gerência. Estas decisões unilaterais têm mais inconvenientes que vantagens, pelo que, penso que uma decisão tomada a partir de um marketing mix coerente nos ajuda a alcançar um maior nível de professionalidade dentro da empresa.
Um ponto importante que se deve considerar na elaboração de um vinho é o estudo e a análise da nossa concorrência, e a observação da sua evolução, adequando as novas ferramentas de trabalho ao nosso alcance. Estas ferramentas devem ser baseadas numa viticultura e numa enologia com critérios científicos.
No momento de qualificar um vinho como “BOM VINHO” é-lhe exigido que cumpra requisitos mínimos bem definidos.
- Segurança para a saúde do consumidor.
- Perfil comercial.
- Perfil sensorial.
- Critérios enológicos necessários.
Devemos saber responder a estes quatro critérios, se assim não for estaremos num estado de debilidade e, portanto, distantes de fazer o “BOM VINHO”.
PERFIL SENSORIAL
Os métodos de análise sensorial ajudam-nos a definir perfis de vinho em função dos objectivos desejados.
O vinho deve agradar ao mercado, ainda que às vezes seja útil manter uma certa distância ao gosto pessoal do enólogo, do proprietário ou do comercial.
Na avaliação do perfil sensorial deve-se ter em conta:
- O perfil do vinho na saída para o mercado
- A longevidade do vinho no tempo
Como perfil sensorial é necessário definir os descritores e saber quais deles o consumidor avalia positiva ou negativamente.
a) Descritores positivos:
Visual: Cor vermelha e azul (violáceo)
Olfactivo: Fruta fresca ou madura, madeira (tosta, aumenta a intensidade), especiarias e mineral.
Gustativo: Maior ou menor volume, gordura, doçura, acidez e intensidade tánica. No seu conjunto HARMONIA.
b) Descritores negativos:
Visual: unicamente cor vermelha, telha ou castanha.
Olfactivo: Compostos enxofrados, químico, herbáceo ou vegetal, animal.
Gustativo: Excesso de taninos (adstringência), secura (tanino da madeira), excesso de acidez e amargor. No seu conjunto DESEQUILÍBRIO.
A longevidade do vinho no tempo: manter a cor azul (violeta), manter a fruta e o volume em boca e a diminuição da adstringência.
Estes elementos mudam muito em função da variedade e da vinificação, o vinho é um ir e vir contínuo entre onde chegar e como trabalhar a uva e o vinho.
CRITÉRIOS ENOLÓGICOS
A maneira de elaborar o vinho e a qualidade da uva são passos obrigatórios que no futuro nos vão permitir chegar aos dois objectivos anteriores (perfil do vinho na saída para o mercado e longevidade no tempo).
Para o êxito de um vinho como BOM VINHO é necessário trabalhar com técnicas actualizadas e aprovadas cientificamente, ter argumentos para escolher uma técnica ou outra em função dos objectivos comerciais e sensoriais propostos, saber actuar com rapidez e actualizar-se, manejar o desenvolvimento das potencialidades da uva e os riscos e manter sempre a coerência…
Elaborar vinho é fácil, elaborar UM BOM VINHO CUSTA MAIS.
Etiquetas: buen vino, consumidor, definir vino





Deixe um comentário