A ideia deste post surgiu-me após ler um comentário do nosso amigo Roberto Arce no post a barrica, um artigo de luxo.
É um tema de muito interesse, controvérsia, que cria paixões e de grande actualidade.
Estamos totalmente de acordo com os teus comentários, nos quais dizes que não é necessário que um vinho tenha madeira para ressaltar a máxima expressão do mesmo.
Mas queria fazer umas considerações sobre o assunto: por motivos culturais, um vinho com madeira é considerado como um vinho melhor pelo consumidor ou, pelo menos, está disposto a pagar mais por ele.
Temos muitos clientes que comercializam vinhos sem madeira e que são muito bons, e, sem dúvida nenhuma, não necessitam madeira para o modelo de vinho que pretendem lançar no mercado.
Não podemos avaliar as qualidades do vinho em função da madeira, cada um deles pertence a modelos distintos e, portanto, há que considerá-los tal como são: vinhos distintos.
Esta é uma das questões que mais ouvimos hoje em dia no debate enológico.
Mas não podemos esquecer que os grandes vinhos do mundo são feitos com madeira.
As denominações mais prestigiadas do mundo têm a madeira como complemento e dentro dos processos de vinificação.
Os vinhos tintos mais comerciais do mundo levam madeira.
Creio que no mercado há uma diversidade de gostos pelo vinho muito variada e, ao mesmo tempo, temos uma quantidade importante de estilos de vinho que cobrem a maioria dos gostos dos consumidores.
Mas, apesar de tudo, há uma tendência importante para os vinhos redondos, volumosos, doces (pela madurez), muito intensos aromaticamente, seja pela fruta ou pela madeira.
Encontrar as uvas que podem oferecer todas estas qualidades não é fácil e torna-se mais difícil quando trabalhamos com volumes grandes.
A madeira sempre foi um complemento importante para o vinho e creio que agora mais que nunca.
É certo que alguns mercados locais de consumidores habituais de vinho podem pedir vinhos com equilíbrios mais clássicos ou rústicos, mas o consumidor moderno deseja aquilo que denominamos como vinhos equilibrados.
Não pretendo dizer que sem madeira não podemos conseguir vinhos que o mercado procura, muito pelo contrário, o que desejo transmitir é que muitas das vinhas que há no mundo inteiro necessitam deste complemento para encontrar o equilíbrio desejado.
A madeira pode dar doçura, fruta, estrutura, madurez, gordura, estilo aromático mais ou menos tostado, ou pode dar só boca, sem aromatizar o vinho, em função do grau de tosta e do tempo de contacto.
Actualmente o que o mercado procura é: em alguns casos, vinhos com intensidade em madeira; noutros casos, vinhos sem madeira mas com muita madeira, isto é, vinhos que tenham complexidade aromática mas com a doçura, a gordura, a fruta e a estrutura que dá a madeira. Desta maneira complementam-se e ajustam-se os equilíbrios do vinho desde há muitos séculos.
Todos os comentários sobre o tema serão bem-vindos, cumprimentos a todos.


Fevereiro 20th, 2010 at %I:%M %p
Egun-on: A mi personalmente me gustan los tintos que han pasado por barrica ( nueva o pocos usos ) ,pero donde la fruta no es machacada por el gusto a madera.
Sin embargo en vinos blancos ( chardonay. sauvignon blanc ,verdejo.. ) tras el paso por madera los encuentro pesados , en una palabra los prefiero frescos ,aromáticos y frutales.
Un amigo me dice que no tengo ” cultura” de vinos blancos cuvee .Creo que no la adquiriré nunca.
Agur bero bat