Focar as vendas

diana

Há alguns dias publicámos o post que mencionava o trabalho apresentado pelo Observatório Espanhol do Mercado do Vinho (OEMV), no qual analisaram distintos aspectos dos consumidores espanhóis de vinho e dos seus hábitos de consumo.

Qualquer informação e todos os estudos que possamos ter sobre este aspecto parecem-me muito interessantes e positivos. Mas eu gostaria abordar este assunto por outra perspectiva, a perspectiva do enólogo, que é aquela que de alguma maneira melhor posso ter.

Se conhecemos o perfil do consumidor, os seus hábitos e gostos, só nos resta oferecer-lhe o que ele deseja. Isto parece muito simples mas depois na adega complica-se.

Cada adega tem a sua própria gama comercial de vinhos, podendo esta caracterizar-se pelo seu posicionamento no mercado, pela sua profundidade, pela sua homogeneidade ou heterogeneidade, mas sobretudo pela sua coerência.

Todos estes parâmetros permitem à equipa técnica dar uma imagem da adega ao cliente, seja de tradição ou de modernidade, sempre e quando a gama de estilos seja estendível, legível e estável no tempo.

Quem define na adega e avalia a pertinência da gama em relação a todos estes critérios? Os técnicos, os comerciais, a direcção?

Há alguns meses no blog de marketing de vinho DATAVIN fizeram um post sobre “Vino en los supermercados: clasificación por estilos” (español). Este post referia que Tesco considera mudar a maneira de oferecer o vinho aos seus clientes. Se até agora oferecia o vinho pela sua origem, a partir de agora oferece-o pelo seu estilo.

Não tenho critérios para avaliar de que maneira isto pode afectar a comercialização dos vinhos, mas posso sim dizer que hoje em dia muitas adegas são melhor definidas pela sua origem que pela sua gama de estilos de vinhos.

A caracterização dos vossos vinhos desde um ponto de vista sensorial será uma ferramenta cada vez mais fundamental. A comparação entre a nossa gama e vinhos da concorrência de outras zonas e outras colheitas será fundamental para definir os estilos dos vinhos.

Saber se os vinhos de gama alta são percebidos de forma diferente dos vinhos de gama baixa, se as distintas referências que existem na adega são realmente percebidas como diferentes pelo consumidor.

Actualmente a elevada competitividade e qualidade dos vinhos torna cada vez mais necessária a diferenciação da concorrência.

Devemos focar bem os nossos diferentes estilos às vendas.

Posicionar os nossos vinhos face aos restantes, avaliá-los, estudar a sua evolução no estágio, escolher a barrica idónea, determinar o estilo de vinificação, caracterizar as uvas mais apropriadas são trabalhos que devemos realizar com grande precisão nas adegas.

A prova será fundamental na definição precisa dos vinhos. É o exame mais rápido e intuitivo que podemos aplicar na enologia actual. Através da prova tomamos decisões muito importantes. A prática da prova é fácil mas é necessário avaliar, quantificar e expressar os diferentes descritores que podemos utilizar em cada momento.

O equilíbrio do vinho, os seus aromas (origem e classificação), o estilo tánico, a madeira e os defeitos (origem e detecção) são marcadores importantes, juntamente com a harmonização na prática da prova do painel de provadores. Tudo isto junto é fundamental para termos uma boa caracterização dos nossos estilos de vinhos.

Sorte.



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