A textura do vinho (I)
A nossa geração de enólogos perdeu o medo ao engarrafamento. Se nos anos 60 os enólogos tinham grandes problemas de estabilidade tartárica, proteica, etc., hoje essa problemática não existe. A problemática do enólogo atual é a textura do vinho, como conseguir vinhos harmoniosos, já que é isso que pede atualmente o consumidor.
Como introdução a uma série de posts que faremos nas próximas semanas, queremos mencionar alguns conceitos de prova.
Os vinhos que os consumidores procuram são agradáveis, suaves e com elevado efeito prazenteiro (bem equilibrados). Os consumidores não sentem a qualidade em função da concentração em polifenóis do vinho mas em função do seu equilíbrio (harmonia). Desejam vinhos com volume, definitivamente, um sumo de vinho.
A textura do vinho é definida por: taninos, acidez, polissacáridos, carbónico e aromas. Os taninos participam na textura do vinho e devemos definir os itinerários tecnológicos que permitem modificar a textura como ferramenta para conseguir vinhos aceitáveis. A adstringência provocada pelos taninos provém da precipitação das proteínas da saliva com os taninos e da perceção do precipitado induzido. Este precipitado, que pudemos ver quando deitamos o vinho fora, dá sensações de aderência e granulometria.
Para minimizar a agressividade dos taninos, temos duas opções:
- Diminuir a quantidade de taninos no vinho.
- Adicionar outros componentes que ajustem o equilíbrio.
Neste post falaremos da primeira opção, deixando a segunda para o post seguinte.
Os resultados obtidos em provas realizadas pela AZ3 por toda a Espanha com a participação de 150 enólogos permitem-nos tirar as seguintes conclusões quanto à agressividade dos vinhos tintos.
AGRESSIVIDADE/TANINOS
A carga fenólica do vinho determina parte da sua agressividade, mas isto não é tudo num vinho tinto.
No gráfico nº1 observamos que vinhos com quantidades inferiores de taninos podem ser mais agressivos que outros com quantidades muito superiores.
AGRESSIVIDADE / TIPO TÁNICO
No gráfico nº2 podemos ver claramente que a agressividade está mais relacionada com o estilo tánico do vinho, ou seja, os taninos verdes são mais agressivos que os taninos duros.
AGRESSIVIDADE RÁCIO TANINO/ANTOCIANA
O gráfico nº3 demonstra-nos que o rácio tanino/antociana também não explica por si só a agressividade dos vinhos. O perfil varietal também pode incidir na agressividade do vinho tinto.
De acordo com estas conclusões, hoje podemos escolher diferentes gelatinas que podem ajudar-nos a mascarar essa tanicidade, já que é agressiva para o consumidor final. Estas gelatinas podem mascarar o perfil vegetal ou realçar o perfil maduro do vinho. Neste sentido, é importante não acreditar em estereótipos. Em muitas situações, ouvimos dizer que para vinhos jovens deve-se utilizar gelatina e para vinhos mais caros ou de estágio, albumina. No entanto, os clarificantes devem ser escolhidos em função do estilo tánico do vinho, da reatividade dos taninos e não em função da sua idade. Podemos encontrar vinhos reserva com estilo tánico verde e vinhos jovens com taninos mais maduros e vice-versa.
Etiquetas: agresividad, antocianos, armonia, polifenoles, taninos, textura, vino









8 Respostas a “A textura do vinho (I)”
Janeiro 30th, 2012 at %I:%M %p
Muchas gracias, a este paso me hago experta ya!!
un beso
mj
Janeiro 31st, 2012 at %I:%M %p
Señores: Soy Enólogo y tienen articulos muy interesantes que quisiera reproducirlos en un libro que he escrito, sitando la fuente, como es el caso de la textura del vino.
Atte.
Roberto
Fevereiro 1st, 2012 at %I:%M %p
Hola Roberto,
No hay problema, puedes reproducirlos siempre que cites la fuente.
Aprovecho la ocasión para agradecerte tu participación en el blog.
Un saludo
Fevereiro 9th, 2012 at %I:%M %p
Excelente artículo.
Cuidado con “harmonioso” …armonioso
Fevereiro 28th, 2012 at %I:%M %p
[...] La Textura del Vino (I) hablábamos de cómo eliminar la agresividad de los tintos usando gelatina. En este post hablaremos [...]
Fevereiro 28th, 2012 at %I:%M %p
Hola Raquel. En este caso nos hemos salvado por la campana
La RAE admite las dos dos formas, harmonia y armonia, pero recomienda usar la segunda. Un saludo y gracias por tu comentario.
Abril 9th, 2012 at %I:%M %p
Muy interesante y bueno el articulo, siempre es bueno colgar este tipo de post para que la gente le nazca la curiosidad y empiece a consumir vino.
gracias por tu tiempo y ánimo.
Abril 10th, 2012 at %I:%M %p
Hola Jesús, gracias a ti por leernos.
Juntos sabemos más.
Un saludo
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